Como sócia gestora de uma empresa familiar e especialista em Governança Corporativa, tenho acompanhado o impacto transformador que uma governança estruturada pode refletir nos negócios familiares.
Neste cenário, a Governança Familiar não é apenas um complemento; é a espinha dorsal que sustenta e impulsiona o desenvolvimento e a longevidade do negócio. Observando as estatísticas – 75% do PIB global sendo gerado por empresas familiares e cerca de 70% das empresas familiares sendo encerradas após serem sucedidas pelos herdeiros – sinto uma grande responsabilidade em promover este assunto, principalmente por entender que a governança reverbera muito além do ambiente corporativo, alcançando a esfera familiar e seus laços afetivos.
A governança nas empresas familiares é um tríplice pilar: corporativa, que zela pelo poder e controle; familiar, que nutre o pertencimento e a união; e proprietária, que protege o patrimônio. Esses pilares são a base para enfrentar os desafios, avanços tecnológicos e a globalização, assegurando a saúde do negócio alinhada aos interesses da família.
De acordo com uma pesquisa da PwC realizada em colaboração com a FBN – Family Business Network Internacional, apenas 16% das empresas familiares brasileira se consideram avançadas com a pauta da governança. Isso reforça a urgência de promover uma mudança, garantindo que empresas de qualquer porte possam adotar as práticas da boa governança, incluindo um plano de sucessão claro.
Governança não é burocracia, é um investimento no futuro. É criar um ambiente no qual as pessoas desejem (não por coação) respeitar as regras e agir de forma ética, colocando os interesses da organização acima de seus interesses pessoais, é criar uma cultura de transparência e responsabilidade.
É um passo que deve ser dado o quanto antes, independente do estágio do negócio. Como uma casa recém-reformada onde as paredes da tradição e da inovação se unem sob um mesmo teto, a empresa se renova e se fortalece com a governança.
Contar com profissionais externos também é essencial. Eles trazem uma perspectiva imparcial e contribuem significativamente para a tomada de decisões, garantindo que a empresa prospere e preserve seu caráter único e sua essência familiar.
Nady Dequech
